QUEM ME MANDOU ESSE VÍDEO FOI A BYA MEDEIROS, SEMPRE CRITERIOSA EM SUAS ESCOLHAS. EDUCATIVO SEM SER PIEGAS, TEM UMA LINGUAGEM DIVERTIDA E CLARA. FANTÁSTICO!!!
03 Fevereiro, 2010
AVENTURAS DE UM PÊNIS DESPROTEGIDO...

QUEM ME MANDOU ESSE VÍDEO FOI A BYA MEDEIROS, SEMPRE CRITERIOSA EM SUAS ESCOLHAS. EDUCATIVO SEM SER PIEGAS, TEM UMA LINGUAGEM DIVERTIDA E CLARA. FANTÁSTICO!!!
QUEM ME MANDOU ESSE VÍDEO FOI A BYA MEDEIROS, SEMPRE CRITERIOSA EM SUAS ESCOLHAS. EDUCATIVO SEM SER PIEGAS, TEM UMA LINGUAGEM DIVERTIDA E CLARA. FANTÁSTICO!!!
02 Fevereiro, 2010
QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA?
Café com Creme terá noite de samba com Flávia Simão e Edu Maia
E por falar em Caymmi, é dele a máxima que diz que “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é”. Assino embaixo.
O samba é dos mais genuínos produtos nacionais e, se ele “agoniza” com esses tristes pagodeiros de Exaltasambas, Revelações e suas cópias pioradas (tipo “Boyzinhos do Samba” e afins), ele, o samba, não morre. Nem vai morrer, como decretou Nelson Sargento. Afinal, essa “voz do povo de um país” se renova todos os dias com novos compositores e intérpretes que o tornam, cada vez mais, o “rei do terreiro”.
E que alegria a nossa ver que, por aqui, nas divinas terrinhas, surge uma promessa de grande talento, com uma voz e um gingado que não deixam a dever pra muita gente que já está na estrada há mais tempo. Estou falando de FLÁVIA SIMÃO, uma surpreendente revelação que, escrevam, em pouco tempo vai dar o que falar. Ou, no caso, o que sambar.
É que a moça é carismática e já demonstra muita familiaridade com o espaço mágico do palco. O corpo solto de quem conhece os segredos de vários passos de dança (participou do Grupo Sarandeio, da Escola de Educação Física da UFMG) dá um colorido todo sensual às suas interpretações. Flávia passeia com desenvoltura pelo samba e, ouvindo-a, não tem como não se envolver.
Pra completar, Flávia Simão está acompanhada de outra figura que não deixa nada a dever a ninguém: EDU MAIA. Edu é um cara que vasculha a MPB (principalmente o samba) de cima a baixo e garimpa canções preciosas. De Cartola a Chico Buarque, de Jards Macalé a Luiz Melodia, de Luiz Tatit a Tom Jobim, de Ataulfo Alves a Itamar Assumpção, tudo que é samba de qualidade o rapaz executa com seu violão. É que o Eduzinho é sujeito antenado que pesquisa música o tempo inteiro e sabe, como poucos, separar a graspa do vinho.
Assim, o repertório foi escolhido com muito critério e vai desde sambas consagrados e populares às composições mais recentes das novas gerações de sambistas, passando por algumas obras-primas menos conhecidas, mas, nem por isso, menores.
É por causa de uns assim que, (re)citando o Nelson Sargento, “o samba agoniza, mas ele não morre... Ah, o samba não vai morrer!!!”
Quem for ao CAFÉ COM CREME no próximo dia 04/02, quinta-feira, terá a oportunidade de conferir se eu estou blefando ou se, sorte minha, tenho mesmo certo faro pra coisas de qualidade. Essas “crianças” se apresentarão a partir das 21 horas e, como o espaço é acanhado, acho que vai ficar pequeno pra tanta gente.
Pra essa apresentação, Flávia Simão e Edu Maia têm como “padrinho” ninguém menos que SÉRGIO DE CASTRO. Serjão dispensa apresentações e comentários.
Então tá combinado: quem é um bom sujeito e gosta de samba, vai.
FLÁVIA SIMÃO (voz) e EDU MAIA (violão)
Onde: CAFÉ COM CREME
Quando: QUINTA-FEIRA, 04/02/2010
Início: 21:00 h
Direção: Sérgio de Castro
Café com Creme terá noite de samba com Flávia Simão e Edu Maia
E por falar em Caymmi, é dele a máxima que diz que “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é”. Assino embaixo.
O samba é dos mais genuínos produtos nacionais e, se ele “agoniza” com esses tristes pagodeiros de Exaltasambas, Revelações e suas cópias pioradas (tipo “Boyzinhos do Samba” e afins), ele, o samba, não morre. Nem vai morrer, como decretou Nelson Sargento. Afinal, essa “voz do povo de um país” se renova todos os dias com novos compositores e intérpretes que o tornam, cada vez mais, o “rei do terreiro”.
E que alegria a nossa ver que, por aqui, nas divinas terrinhas, surge uma promessa de grande talento, com uma voz e um gingado que não deixam a dever pra muita gente que já está na estrada há mais tempo. Estou falando de FLÁVIA SIMÃO, uma surpreendente revelação que, escrevam, em pouco tempo vai dar o que falar. Ou, no caso, o que sambar.

É que a moça é carismática e já demonstra muita familiaridade com o espaço mágico do palco. O corpo solto de quem conhece os segredos de vários passos de dança (participou do Grupo Sarandeio, da Escola de Educação Física da UFMG) dá um colorido todo sensual às suas interpretações. Flávia passeia com desenvoltura pelo samba e, ouvindo-a, não tem como não se envolver.
Pra completar, Flávia Simão está acompanhada de outra figura que não deixa nada a dever a ninguém: EDU MAIA. Edu é um cara que vasculha a MPB (principalmente o samba) de cima a baixo e garimpa canções preciosas. De Cartola a Chico Buarque, de Jards Macalé a Luiz Melodia, de Luiz Tatit a Tom Jobim, de Ataulfo Alves a Itamar Assumpção, tudo que é samba de qualidade o rapaz executa com seu violão. É que o Eduzinho é sujeito antenado que pesquisa música o tempo inteiro e sabe, como poucos, separar a graspa do vinho.
Assim, o repertório foi escolhido com muito critério e vai desde sambas consagrados e populares às composições mais recentes das novas gerações de sambistas, passando por algumas obras-primas menos conhecidas, mas, nem por isso, menores.
É por causa de uns assim que, (re)citando o Nelson Sargento, “o samba agoniza, mas ele não morre... Ah, o samba não vai morrer!!!”
Quem for ao CAFÉ COM CREME no próximo dia 04/02, quinta-feira, terá a oportunidade de conferir se eu estou blefando ou se, sorte minha, tenho mesmo certo faro pra coisas de qualidade. Essas “crianças” se apresentarão a partir das 21 horas e, como o espaço é acanhado, acho que vai ficar pequeno pra tanta gente.
Pra essa apresentação, Flávia Simão e Edu Maia têm como “padrinho” ninguém menos que SÉRGIO DE CASTRO. Serjão dispensa apresentações e comentários.
Então tá combinado: quem é um bom sujeito e gosta de samba, vai.
FLÁVIA SIMÃO (voz) e EDU MAIA (violão)
Onde: CAFÉ COM CREME
Quando: QUINTA-FEIRA, 04/02/2010
Início: 21:00 h
Direção: Sérgio de Castro
IEMANJÁ, CAYMMI E ELIFAS ANDREATO
DOIS DE FEVEREIRO
Dorival Caymmi

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
DOIS DE FEVEREIRO
Dorival Caymmi

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
01 Fevereiro, 2010
FEVEREIRO PRA FERVER!!!
O mês começa com uma notícia ótima para os que amam a Música Popular Brasileira. O UM QUE TENHA, blog especializado em postagem de links que permitem baixar raridades musicais está, depois de uns tempos, novamente no ar. Agora é possível ter acesso àquele velho LP que alguém roubou ou que você perdeu não sabe onde nem quando. E ainda entrar em contato com os melhores lançamentos do mercado, discos alternativos e independentes. Ou seja: dá pra se esbaldar.

Os agradecimentos por essa informação devem ser feitos ao EDUARDO MAIA (o velho DUDUBA - que, aliás, estará na quinta-feira no CAFÉ COM CREME, ao lado de FLÁVIA e um repertório com o melhor do samba! Vou postar um convite aqui na quarta-feira) que é o cara mais apaixonado por música que eu conheço e devoto beato do UQT. Foi ele quem me apresentou ao UQT.
O UM QUE TENHA é autoexplicativo e ensina como proceder para baixar as músicas. Então, pare de ler isso aqui e entre logo na página (ah! o endereço é novo também!!!): http://umquetenha.org/uqt/
Boa música para todos.
O mês começa com uma notícia ótima para os que amam a Música Popular Brasileira. O UM QUE TENHA, blog especializado em postagem de links que permitem baixar raridades musicais está, depois de uns tempos, novamente no ar. Agora é possível ter acesso àquele velho LP que alguém roubou ou que você perdeu não sabe onde nem quando. E ainda entrar em contato com os melhores lançamentos do mercado, discos alternativos e independentes. Ou seja: dá pra se esbaldar.

Os agradecimentos por essa informação devem ser feitos ao EDUARDO MAIA (o velho DUDUBA - que, aliás, estará na quinta-feira no CAFÉ COM CREME, ao lado de FLÁVIA e um repertório com o melhor do samba! Vou postar um convite aqui na quarta-feira) que é o cara mais apaixonado por música que eu conheço e devoto beato do UQT. Foi ele quem me apresentou ao UQT.
O UM QUE TENHA é autoexplicativo e ensina como proceder para baixar as músicas. Então, pare de ler isso aqui e entre logo na página (ah! o endereço é novo também!!!): http://umquetenha.org/uqt/
Boa música para todos.
29 Janeiro, 2010
28 Janeiro, 2010
SAUDADE
30 de janeiro: dia da Saudade
Saudade de jogar bola nos campinhos de terra...
Saudade de nadar na lagoa do Cemitério dos Vivos...
Saudade de brincar nas pilhas de casquinha de arroz, na fábrica de beneficiamento...
Saudade de comer goiaba roubada no quintal da dona Niguita...
Saudade de correr atrás de caminhão na subida do morro da Maranhão...
Saudade das vésperas de natal e do cheiro de assado que invadia a casa...
Saudade de correr da chuva que vinha do Pito Aceso...
Saudade de ler os livros ilustrados, com as histórias dos Irmãos Grimm...
Saudade das guerras com as formigas lava-pés, na porta da casa da dona Luiza...
Saudade da sombra do abacateiro...
Saudade de dormir no quartinho com meus irmãos
Saudade de acordar no meio da noite com medo do escuro...
Saudade de matar aula pra nadar na piscina da dona Maria...
Saudade de matar aula pra ver jogos na Quadra dos Padres...
Saudade de matar aula pra não fazer nada...
Saudade da cidade revirada, quando asfaltaram as ruas do centro...
Saudade de brincar de pé-na-lata com a turma da Maranhão...
Saudade do cheiro de benzina do meu pai...
Saudade de comer cabeça de traíra no bar Paris...
Saudade do gosto de geleia...
Saudade de virar cambalhota na grama...
Saudade de ver televisão pela primeira vez...
Saudade de uma camisa que eu tive...
Saudade de comer rabada que minha mãe fez num sábado...
Saudade de assistir Ultra-Seven e Ultra-Men...
Saudade de viajar pra Belo Horizonte pela primeira vez...
Saudade da dona Esmeralda e dos cartazes do Circo do Carequinha e dos Três Porquinhos...
Saudade de estudar no Joaquim Nabuco...
Saudade de brincar na Mina do Zé Capitão...
Saudade do cheiro do picolé ki-big, principalmente do de coco queimado...
Saudade de corrida de barquinhos em enxurrada, depois de chuva forte...
Saudade de fazer barragens na enxurrada, depois de chuva forte...
Saudade de ver cair chuvas fortes, que davam medo...
Saudade do Manchinha, meu companheiro vira-latas...
Saudade do primeiro amor e daquela enorme timidez...
Saudade de ouvir Secos e Molhados pela primeira vez...
Saudade do meu violãozinho de lata de óleo e cordas de pescar...
Saudade de sonhar ser jogador do Guarani...
Saudade de ver os decotes das meninas no Dona Antônia Valadares...
Saudade de jogar finca...
Saudade de biscoito assado que a dona Alzira fazia...
Saudade de tudo, das coisas mais simples que tive na vida...
30 de janeiro: dia da Saudade
Saudade de jogar bola nos campinhos de terra...
Saudade de nadar na lagoa do Cemitério dos Vivos...
Saudade de brincar nas pilhas de casquinha de arroz, na fábrica de beneficiamento...
Saudade de comer goiaba roubada no quintal da dona Niguita...
Saudade de correr atrás de caminhão na subida do morro da Maranhão...
Saudade das vésperas de natal e do cheiro de assado que invadia a casa...
Saudade de correr da chuva que vinha do Pito Aceso...
Saudade de ler os livros ilustrados, com as histórias dos Irmãos Grimm...
Saudade das guerras com as formigas lava-pés, na porta da casa da dona Luiza...
Saudade da sombra do abacateiro...
Saudade de dormir no quartinho com meus irmãos
Saudade de acordar no meio da noite com medo do escuro...
Saudade de matar aula pra nadar na piscina da dona Maria...
Saudade de matar aula pra ver jogos na Quadra dos Padres...
Saudade de matar aula pra não fazer nada...
Saudade da cidade revirada, quando asfaltaram as ruas do centro...
Saudade de brincar de pé-na-lata com a turma da Maranhão...
Saudade do cheiro de benzina do meu pai...
Saudade de comer cabeça de traíra no bar Paris...
Saudade do gosto de geleia...
Saudade de virar cambalhota na grama...
Saudade de ver televisão pela primeira vez...
Saudade de uma camisa que eu tive...
Saudade de comer rabada que minha mãe fez num sábado...
Saudade de assistir Ultra-Seven e Ultra-Men...
Saudade de viajar pra Belo Horizonte pela primeira vez...
Saudade da dona Esmeralda e dos cartazes do Circo do Carequinha e dos Três Porquinhos...
Saudade de estudar no Joaquim Nabuco...
Saudade de brincar na Mina do Zé Capitão...
Saudade do cheiro do picolé ki-big, principalmente do de coco queimado...
Saudade de corrida de barquinhos em enxurrada, depois de chuva forte...
Saudade de fazer barragens na enxurrada, depois de chuva forte...
Saudade de ver cair chuvas fortes, que davam medo...
Saudade do Manchinha, meu companheiro vira-latas...
Saudade do primeiro amor e daquela enorme timidez...
Saudade de ouvir Secos e Molhados pela primeira vez...
Saudade do meu violãozinho de lata de óleo e cordas de pescar...
Saudade de sonhar ser jogador do Guarani...
Saudade de ver os decotes das meninas no Dona Antônia Valadares...
Saudade de jogar finca...
Saudade de biscoito assado que a dona Alzira fazia...
Saudade de tudo, das coisas mais simples que tive na vida...
26 Janeiro, 2010
UMA COLABORAÇÃO DE LUXO, DO AMIGO MÁRCIO ALMEIDA...
EVOÉ, CUMPADI MÁRCIO, PEÇO LICENÇA PRA PUBLICAR SEU "AI DE TI, HAITI".
AI DE TI, HAITI
Márcio Almeida
Ai de ti, Haiti!
Cloaca da miséria a perguntar ao mundo
se Deus existe.
Entulho da morte, pátria do caos.
Ai de ti, carniça viva
a dar azia em urubu.
Nação a mando do diabo,
do açúcar acre, do carvão sem cinza,
do exército cômico para deleite de Guerrit Verschuur,
da vida a menos de um dólar,
da única universidade soterrada no desconhecimento
de sua fragilidade sísmica.
Ai de ti, cemitério a céu aberto
como seus esgotos, suas heresias no Palácio dos Milagres,
suas feridas abertas na História,
suas dinastias que Papa e Baby DOCumentam o horror da desgraça
que não cessa,
seu jugo estrangeiro a quem em inglês, francês, espanhol ou vudu
exauriu seu solo, furtou seu pouco de nada, anulou seu futuro.
O inferno pó-moderno teve seu apocalipse trêmulo
e chama-se Haiti.
Subserviência sob domínio da fome,
Terra morta por terremoto,
entre saques e violência,
povo sem sinapse com o real,
em fuga sem para onde,
aeroporto sem destino,
Porto Príncipe sob a realeza mundo-cão.
Que os seus mortos adubem a esperança,
que seus políticos de mentira aprendam com a finitude,
que suas ajudas humanitárias
reconstruam o que seu povo nunca teve,
que suas ruínas ensinem a ouvir
entre vozes de concreto o apelo
de barrigudinhos-catarrentos,
que seu cheiro pútrido chegue aos salões de festa,
às mesas fartas, aos bunkers dos G8,
aos cultos e aos discursos dos poderosos.
Ai de ti, Haiti!
Agora que a Natureza te riscou do mapa
e abalou o alicerce do planeta,
e que o mundo, solidário ao seu castigo por existir
escravo de tudo e todos,
possa, Haiti, vingar como veneno tardio
a única certeza de Deus não morrer antes
de um dia te ver feliz.
EVOÉ, CUMPADI MÁRCIO, PEÇO LICENÇA PRA PUBLICAR SEU "AI DE TI, HAITI".
AI DE TI, HAITI
Márcio Almeida
Ai de ti, Haiti!
Cloaca da miséria a perguntar ao mundo
se Deus existe.
Entulho da morte, pátria do caos.
Ai de ti, carniça viva
a dar azia em urubu.
Nação a mando do diabo,
do açúcar acre, do carvão sem cinza,
do exército cômico para deleite de Guerrit Verschuur,
da vida a menos de um dólar,
da única universidade soterrada no desconhecimento
de sua fragilidade sísmica.
Ai de ti, cemitério a céu aberto
como seus esgotos, suas heresias no Palácio dos Milagres,
suas feridas abertas na História,
suas dinastias que Papa e Baby DOCumentam o horror da desgraça
que não cessa,
seu jugo estrangeiro a quem em inglês, francês, espanhol ou vudu

exauriu seu solo, furtou seu pouco de nada, anulou seu futuro.
O inferno pó-moderno teve seu apocalipse trêmulo
e chama-se Haiti.
Subserviência sob domínio da fome,
Terra morta por terremoto,
entre saques e violência,
povo sem sinapse com o real,
em fuga sem para onde,
aeroporto sem destino,
Porto Príncipe sob a realeza mundo-cão.
Que os seus mortos adubem a esperança,
que seus políticos de mentira aprendam com a finitude,
que suas ajudas humanitárias
reconstruam o que seu povo nunca teve,
que suas ruínas ensinem a ouvir
entre vozes de concreto o apelo
de barrigudinhos-catarrentos,
que seu cheiro pútrido chegue aos salões de festa,
às mesas fartas, aos bunkers dos G8,
aos cultos e aos discursos dos poderosos.
Ai de ti, Haiti!
Agora que a Natureza te riscou do mapa
e abalou o alicerce do planeta,
e que o mundo, solidário ao seu castigo por existir
escravo de tudo e todos,
possa, Haiti, vingar como veneno tardio
a única certeza de Deus não morrer antes
de um dia te ver feliz.
25 Janeiro, 2010
A PESTE
Todos os acontecimentos são, de certa forma, curiosos, sabem disso os cronistas – consagrados ou não. O velho [Rubem]Braga retirou crônicas célebres de fatos bastante corriqueiros – um homem nadando no mar, uma mulher na praia, um passarinho que o visitava, outro que sujou a roupa do conde... Tudo são temas para crônicas.
Em minha cidade – como em qualquer outra – os fatos devem ser observados apenas como aquilo que são: os fatos. Banais ou inesperados, cotidianos ou extraordinários, corriqueiros ou surpreendentes. Os fatos são apenas os fatos. Vamos a eles.
Alguns se lembrarão de que, numa manhã do dia 16 de abril, o doutor Bernard Rieux topou com um rato morto ao sair do consultório. Depois de afastá-lo com o pé e tratar o fato com indiferença, pensou que aquele não era um lugar devido para um rato morto e retornou para avisar ao porteiro. O velho Michel foi categórico ao afirmar que não havia ratos no prédio; só podia se tratar, pois, de uma brincadeira. Brincadeira ou não, o fato é que o rato estava lá.
À noite, ao entrar em casa, Rieux vê surgir do fundo do corredor um rato enorme, trôpego e com o pelo molhado. O bicho corre até ele, estrebucha, verte sangue pela boca e morre.
No dia seguinte, o porteiro para o médico e diz que são gracejadores de mau gosto que colocaram três ratos mortos no meio do corredor. O médico percebe, então, que algo está errado. No subúrbio onde visitará seus clientes, conta mais de uma dúzia de ratos jogados sobre restos e lixos.
Alguns se lembrarão de que os fatos relatados acima compõem, na verdade, o início de A PESTE, de Albert Camus, um dos mais belos e contundentes livros escritos no século passado. Os ratos mortos nas ruas de Oran são o prenúncio do terrível mal que se abaterá sobre a cidade – a peste – e que deixará expostas todas as mazelas da sociedade humana. Oran é o mundo reduzido. O mundo num momento extremo, com tudo que ele tem de mais belo e de mais terrível. E neste mundo, os homens.
Por que fui me lembrar de Camus e sua, talvez, obra máxima? É que hoje, voltando para casa de uma caminhada matinal pela cidade, topei com enorme rato morto.
E isto é tudo. Um fato que, se não é corriqueiro, também não é tão extraordinário assim. Os ratos vivem sob nossos pés, lotando os bueiros e esgotos. Enquanto dormimos, enquanto comemos, enquanto andamos, falamos, amamos e brigamos, estão lá, escondidos. Eventualmente saem de seus esconderijos e sobem para nossas ruas. E como tudo que vive, um dia morrem, estejam eles nos subterrâneos ou à flor das ruas. Portanto, um rato morto na calçada não passa de um fato urbano, como tantos outros.
Mas eu, sempre que vir um deles, me lembrarei do dr. Rieux e da Oran de Camus. E os ratos mortos me farão pensar em nós, homens, amontoados em nossas Orans, mais ou menos empesteadas, com todas as nossas mazelas. E olhando para o rato morto, eu me lembrarei, como Rieux no fim de sua narrativa, de “que há nos homens mais coisas a admirar a desprezar”
E isto é tudo.
Todos os acontecimentos são, de certa forma, curiosos, sabem disso os cronistas – consagrados ou não. O velho [Rubem]Braga retirou crônicas célebres de fatos bastante corriqueiros – um homem nadando no mar, uma mulher na praia, um passarinho que o visitava, outro que sujou a roupa do conde... Tudo são temas para crônicas.
Em minha cidade – como em qualquer outra – os fatos devem ser observados apenas como aquilo que são: os fatos. Banais ou inesperados, cotidianos ou extraordinários, corriqueiros ou surpreendentes. Os fatos são apenas os fatos. Vamos a eles.
Alguns se lembrarão de que, numa manhã do dia 16 de abril, o doutor Bernard Rieux topou com um rato morto ao sair do consultório. Depois de afastá-lo com o pé e tratar o fato com indiferença, pensou que aquele não era um lugar devido para um rato morto e retornou para avisar ao porteiro. O velho Michel foi categórico ao afirmar que não havia ratos no prédio; só podia se tratar, pois, de uma brincadeira. Brincadeira ou não, o fato é que o rato estava lá.

À noite, ao entrar em casa, Rieux vê surgir do fundo do corredor um rato enorme, trôpego e com o pelo molhado. O bicho corre até ele, estrebucha, verte sangue pela boca e morre.
No dia seguinte, o porteiro para o médico e diz que são gracejadores de mau gosto que colocaram três ratos mortos no meio do corredor. O médico percebe, então, que algo está errado. No subúrbio onde visitará seus clientes, conta mais de uma dúzia de ratos jogados sobre restos e lixos.
Alguns se lembrarão de que os fatos relatados acima compõem, na verdade, o início de A PESTE, de Albert Camus, um dos mais belos e contundentes livros escritos no século passado. Os ratos mortos nas ruas de Oran são o prenúncio do terrível mal que se abaterá sobre a cidade – a peste – e que deixará expostas todas as mazelas da sociedade humana. Oran é o mundo reduzido. O mundo num momento extremo, com tudo que ele tem de mais belo e de mais terrível. E neste mundo, os homens.
Por que fui me lembrar de Camus e sua, talvez, obra máxima? É que hoje, voltando para casa de uma caminhada matinal pela cidade, topei com enorme rato morto.
E isto é tudo. Um fato que, se não é corriqueiro, também não é tão extraordinário assim. Os ratos vivem sob nossos pés, lotando os bueiros e esgotos. Enquanto dormimos, enquanto comemos, enquanto andamos, falamos, amamos e brigamos, estão lá, escondidos. Eventualmente saem de seus esconderijos e sobem para nossas ruas. E como tudo que vive, um dia morrem, estejam eles nos subterrâneos ou à flor das ruas. Portanto, um rato morto na calçada não passa de um fato urbano, como tantos outros.
Mas eu, sempre que vir um deles, me lembrarei do dr. Rieux e da Oran de Camus. E os ratos mortos me farão pensar em nós, homens, amontoados em nossas Orans, mais ou menos empesteadas, com todas as nossas mazelas. E olhando para o rato morto, eu me lembrarei, como Rieux no fim de sua narrativa, de “que há nos homens mais coisas a admirar a desprezar”
E isto é tudo.
13 Janeiro, 2010
Meus oito anos
Casimiro de Abreu
Oh! souvenirs! printemps! aurores!
V. Hugo
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
Casimiro de Abreu
Oh! souvenirs! printemps! aurores!
V. Hugo
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
05 Janeiro, 2010
SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS
Mário Quintana
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre em frente ...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mário Quintana
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre em frente ...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
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